Dezembro 21 2008

Olá ponto-de-vista,
 


Andamos todos muito preocupados com a crise económica que anda por aí. Uns dizem que a culpa é do Bush , outros dizem que é de outra coisa qualquer, outros não sabem o que isso é, outros ouviram dizer e outros não querem saber.

 
Eu sou dos que não sei o que é, nem donde veio. Mas vamos lá pensar, como diz a Chanceler Ângela Merkel que no Publico de hoje, pede tempo para reflectir.
Ora, se Economia, in strictu sensu é a ciência social que estuda a produção, a distribuição e consumo de bens e serviços, é aqui dentro deste parâmetro que o assunto tem de ser estudado, ou seja, saber como é que a produção se comportou, face ao consumo e se a distribuição teve influência nisso ou não.


Numa análise simplista, a relação produção/ consumo vai, parece-me, cair na lei da oferta e da procura do Adam Smith , que é clara como água quando diz: se o consumo aumentar vai exigir das fábricas mais produção para que os preços se mantenham.
Porque se a procura aumenta e não há a correspondente aumento de produtos, os preços sabem porque rareiam os produtos.


Se bem me lembro das aulas do Dr. Vitorino lá no ICL a coisa é assim.
Mas, parece - me que não foi isto que aconteceu mas sim ao contrário.
Houve excesso de produção mesmo depois de se satisfazer o consumo, e aí é que está o gato, parece-me. Quer dizer, as novas tecnologias geraram mais produção quase com os mesmos custos, as receitas aumentaram nas empresas, o que, por sua vez, provocou aumentos salariais que convidaram ao consumo.
Face a isto, as famílias consideraram o momento de prosperidade e, por esse motivo, abandonam o regime da poupança que vinham praticando e entram nos excessos, inclusivamente surgem a investir no mercado bolsista, que não dominam, o que lhes provoca o endividamento e ficam sem meios, por um lado, para adquirir o excesso de bens produzidos pelas novas tecnologias e por outro ficam igualmente sem meios para satisfazer o endividamento.


Assim, a stokagem não sai e o processo no seio do tecido empresarial complica-se, porque o sistema financeiro adoeceu e não funciona.
A crise de 29, a mais grave crise económica da historia dos Estados Unidos da América, ocorreu precisamente num momento de prosperidade e veio a reflectir-se na Europa e alastrou-se por todo o Mundo capitalista. Como agora.
A produção industrial americana colocava no mercado cada vez mais produtos a uma sociedade cuja procura de bens de consumo estava já a diminuir ou, no mínimo, a estabilizar enquanto os rendimentos dos assalariados eram insuficientes para lhes assegurar a aquisição dos bens.
Como me dizia um amigo meu aqui há dias a crise parece ser de moral ou falta dela. O homem quer sempre mais e mais. Tanto agora como em 29, a prosperidade era aparente, porque assentava num equilíbrio instável com frágeis esperanças de felicidade.
Desde há muito tempo que cada um comprava muito acima das suas possibilidades.
E quando assim é!....

 

Por João Brito Sousa

 

publicado por ponto-de-vista às 23:42

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